Passo Fundo recebeu nesta quinta-feira (17) uma das principais especialistas em meteorologia do país para tratar de um tema crucial ao futuro do setor agrícola gaúcho: o clima. A meteorologista Estael Sias apresentou projeções para os anos de 2025 e 2026 em uma palestra que reuniu produtores rurais, empresários e lideranças regionais na sede do Sindicato Rural. O evento foi promovido em parceria com a Marco XP, Sindicato Rural e apoio da ACISA
Formada em Meteorologia pela UFPel e com mestrado pela USP, Estael é reconhecida nacionalmente por sua atuação no monitoramento de eventos climáticos extremos. Com linguagem acessível e foco na tomada de decisões estratégicas no campo, ela conduziu uma palestra dividida em três partes.
Na primeira, a meteorologista resgatou os fatores que levaram aos desastres climáticos de 2024, com destaque para as chuvas excessivas. “O que vivemos foi um cenário muito peculiar, com uma combinação rara de condições que favoreceram volumes excepcionais de precipitação”, explicou.
Na segunda parte, Estael analisou o comportamento do clima em 2025 até o momento, marcado por um padrão mais seco — com exceção dos meses de maio e junho — e por eventos climáticos de regionalidades pontuais. Segundo ela, estamos em um período de neutralidade climática, sem El Niño nem La Niña ativos. A previsão é de um leve resfriamento do Oceano Pacífico nos próximos meses, o que não caracteriza um evento La Niña clássico, mas indica uma tendência de neutralidade fria.
Esse cenário, segundo a especialista, tende a aumentar a irregularidade das chuvas durante o verão, justamente na fase de maior demanda hídrica das lavouras de soja. Por outro lado, há uma condição considerada positiva para o pré-plantio, com expectativa de chuvas suficientes para manter a umidade do solo.
Na terceira parte da apresentação, Estael chamou atenção para o momento decisivo de escolha de sementes e ciclos culturais, recomendando uma constante atualização das informações climáticas. “Essa é apenas uma primeira análise. Ainda estamos em julho e muita coisa pode mudar até o início do plantio. Por isso, reforçamos a importância de revisar os dados antes do investimento definitivo nas lavouras”, orientou.



