O impacto das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começa a ser estimado por entidades do setor produtivo. Entre os segmentos mais atingidos estão a carne bovina industrializada e o suco de laranja, que respondem por uma parcela significativa das exportações nacionais para o mercado norte-americano.
De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), a imposição da tarifa de 26,5% sobre a carne bovina processada pode gerar uma perda de até US$ 1,3 bilhão ao longo de 2025. Em 2023, o Brasil exportou cerca de US$ 1 bilhão em carne industrializada para os EUA. A entidade alerta que o novo imposto tornará o produto brasileiro menos competitivo, abrindo espaço para concorrentes como Austrália e México, que possuem acordos comerciais mais favoráveis com os norte-americanos.
Já na avaliação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o suco de laranja será o item mais afetado pelo chamado “tarifaço”. Os pesquisadores explicam que o produto já enfrenta altos custos logísticos e passará a ter uma tarifa de importação de 25%, elevando ainda mais o preço final e pressionando a competitividade do suco brasileiro no principal mercado comprador.
A partir de 1º de agosto, produtos como café solúvel, mel, tabaco, grafite natural, metais não ferrosos e etanol também passarão a enfrentar sobretaxas para entrar no território norte-americano. O governo brasileiro informou que busca reverter a medida por meio do diálogo diplomático, mas também elabora um plano de contingência para minimizar os efeitos negativos nos setores produtivos atingidos.



