As chuvas intensas que atingiram o Rio Grande do Sul em junho impactaram diretamente o calendário de implantação das lavouras de trigo no estado, principal produtor do cereal no Brasil. Segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), as adversidades climáticas prejudicaram a preparação do solo e o avanço do plantio, especialmente nas regiões Norte e Noroeste gaúchas, tradicionalmente responsáveis por boa parte da produção estadual.
Com o solo encharcado e o excesso de umidade, muitos produtores enfrentaram dificuldades para entrar com máquinas no campo. Em alguns casos, a semeadura teve que ser adiada por semanas, comprometendo o planejamento da safra e elevando o risco de perdas futuras, caso ocorram geadas ou estiagens em fases sensíveis do desenvolvimento das plantas.
Embora a janela ideal para o plantio vá até meados de julho, técnicos da Seapi alertam que o atraso pode impactar o potencial produtivo das lavouras e elevar os custos com insumos e manejo. Ainda assim, os agricultores demonstram resiliência, apostando em variedades mais adaptadas ao ciclo tardio e monitorando as condições climáticas para concluir a semeadura dentro do possível.
A expectativa do estado é recuperar parte da produção perdida na safra anterior, fortemente afetada por eventos climáticos extremos. No entanto, o cenário ainda exige cautela, especialmente diante da instabilidade do clima e dos desafios logísticos enfrentados em diversas regiões produtoras.



