A indústria brasileira de carne bovina está em alerta diante da iminente aplicação de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras do setor, a partir de 1º de agosto. A medida, anunciada pelo governo norte-americano, pode causar um impacto bilionário às empresas brasileiras, com perdas estimadas em até US$ 1 bilhão, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que representa gigantes como JBS, Marfrig e Minerva.
No primeiro semestre de 2025, os Estados Unidos foram o segundo maior destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China. O país importou cerca de 181 mil toneladas do produto, movimentando aproximadamente US$ 1 bilhão — o equivalente a 12% das exportações totais do Brasil no período.
A possível elevação tarifária preocupa o setor, pois tornaria inviável economicamente o envio das 400 mil toneladas previstas para este ano. De acordo com a Abiec, nenhum outro mercado oferece, hoje, as mesmas condições comerciais e volume de demanda dos EUA. Diante disso, algumas empresas já suspenderam temporariamente parte da produção destinada exclusivamente ao mercado americano e buscam redirecionar suas exportações para regiões como Ásia, Oriente Médio e África.
Além do impacto direto nas exportações, a nova tarifa pode gerar um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva da pecuária no Brasil. Frigoríficos estão revendo compras de animais e antecipando férias coletivas, enquanto pecuaristas enfrentam queda nos preços do boi gordo e incertezas quanto ao escoamento da produção. O cenário já vinha sendo pressionado pela oferta elevada, pela volatilidade cambial e por dificuldades logísticas.
A preocupação do setor é que a tarifa afete não apenas os grandes exportadores, mas também pequenos e médios produtores que dependem do ritmo de abate e compra das indústrias. A expectativa, porém, é de que o governo brasileiro intensifique o diálogo com os EUA para tentar reverter ou mitigar os impactos da medida.



