Apesar do impacto do novo tarifário anunciado pelos Estados Unidos, que deve atingir diversos setores da economia brasileira, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), revelam que 43,4% das exportações brasileiras para os EUA atualmente estão isentas de qualquer tarifa. Esse percentual corresponde a cerca de US$ 17,5 bilhões em vendas realizadas em 2023, de um total de US$ 40,2 bilhões comercializados com o país norte-americano.
O levantamento mostra que produtos como minério de ferro, soja em grão, celulose e petróleo bruto estão entre os principais itens que entraram nos EUA com tarifa zero no ano passado. De acordo com o governo, cerca de 5.500 produtos brasileiros são atualmente exportados aos EUA com isenção tarifária.
Esses números servem para dimensionar o impacto do chamado “tarifaço” norte-americano, que atinge outros 56% das exportações. O governo brasileiro avalia que setores como carnes, café e armas de fogo, que hoje enfrentam novas sobretaxas, poderão sofrer perdas bilionárias caso não haja revisão da medida ou contrapartidas comerciais.
A isenção tarifária se deve, em grande parte, à adesão do Brasil ao Sistema Geral de Preferências (SGP), programa norte-americano que concede vantagens comerciais a países em desenvolvimento. No entanto, o futuro dessa política segue incerto, já que o SGP está suspenso desde o final de 2020 e depende de renovação pelo Congresso dos EUA.



