O governo dos Estados Unidos impôs uma sobretaxa de 40% sobre a carne bovina brasileira, que se soma aos 10% já vigentes desde abril, resultando em uma carga total de 50%. A medida força o preço da tonelada da carne do Brasil para aproximadamente US$ 8.415, ante US$ 6.733,70 praticados para a Argentina, gerando uma diferença de preço de quase US$ 1.700 por tonelada.
Setores como citrus, madeira, celulose, petróleo e aeronaves foram incluídos em uma lista de isenções, mas carnes bovinas, café, cacau, frutas e pescados ficaram de fora.
Apesar da penalização, o mercado interno brasileiro reage com resiliência. Organizações como a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) e a Abrafrigo mobilizam-se para mitigar os impactos. Estima-se que o país possa perder entre US$ 1 bilhão e US$ 1,3 bilhão em exportações de carne aos Estados Unidos.
Por outro lado, analistas apontam que a carne brasileira dispõe de certo espaço competitivo, já que muitos compradores norte-americanos dependem do produto. Isso significa que a substituição do Brasil por outros fornecedores não seria imediata, tampouco simples.
Além disso, antes da sobretaxa, o preço médio da carne brasileira era de cerca de US$ 6.100 por tonelada, bem mais competitivo em comparação a outros concorrentes globais.
Mesmo diante do “tarifaço”, há expectativa de expansão das exportações brasileiras de carne no restante de 2025, com possível recorde de embarques, especialmente em mercados como Ásia e União Europeia. O governo também lançou um pacote de apoio voltado aos setores mais vulneráveis — como fruticultura e pescados — ainda que o setor de carnes se mostre mais resiliente.



