Em julho, o Brasil registrou o maior volume mensal de importação de fertilizantes no ano, totalizando 4,79 milhões de toneladas — um aumento de 15,6% em relação a junho e de 7,1% frente ao mesmo período de 2024. No acumulado de 2025, o país já soma 24,2 milhões de toneladas importadas, crescimento de 8,8% sobre o ano anterior e um novo recorde histórico para o período.
Apesar do avanço expressivo nas quantidades, os valores também registraram forte alta. O Brasil desembolsou US$ 8,8 bilhões em fertilizantes, o que representa um aumento de 16% em relação ao ano anterior.
O aumento de preços foi expressivo em diferentes produtos. O composto NP (nitrogênio e fósforo) registrou preço médio CIF de US$ 570,87 por tonelada, alta de 13,2% em relação a junho e de 15,9% ante julho de 2024. A ureia subiu 7% em um mês, para US$ 427,37 por tonelada. Outros produtos como MAP e KCl também apresentaram aumentos mensais de 5% a 6%.
A Rússia mantém-se como a principal fornecedora, com 6,88 milhões de toneladas, representando 28,2% do total — alta de 18% sobre 2024. A China aparece na sequência, com 5,14 milhões de toneladas (21,2% do total) e um crescimento anual de 75,7%. O Canadá ocupa o terceiro lugar com 3,1 milhões de toneladas (12,8% do volume total), registrando recuo de 2,2% frente ao ano anterior.
O cenário de elevação de custos ocorre num momento de incertezas geopolíticas. A escalada das tensões entre Israel e Irã, combinada à guerra tarifária dos Estados Unidos, elevou o risco de interrupções no fornecimento global — e levou diversos produtores a anteciparem compras para garantir o suprimento necessário à safra.
Segundo relatório da consultoria Datagro, o Brasil pode enfrentar ainda mais pressão nos preços caso os Estados Unidos ampliem sanções a importadores de fertilizantes russos. Mesmo assim, os produtores têm preferido garantir o insumo necessário, ainda que tenha impacto direto na relação de troca, com custos maiores em nível operacional.



