A cadeia produtiva da soja no Brasil pode ampliar de forma significativa sua contribuição para a economia caso avance na industrialização do grão. De acordo com estudo realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), o impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do setor pode ser até 4,4 vezes maior quando o produto passa por processamento, em comparação à exportação in natura.
Para 2025, a expectativa é de que a cadeia da soja e do biodiesel apresente crescimento próximo de 11%, atingindo R$ 820,9 bilhões em valores movimentados — o equivalente a 21,7% do PIB do agronegócio e a 6,4% de toda a economia nacional. O resultado é impulsionado por uma safra recorde de 169,7 milhões de toneladas, pelo aumento do esmagamento interno e pela maior demanda por biodiesel, com a mistura obrigatória chegando a B14 e B15.
O levantamento mostra que cada tonelada de soja exportada sem processamento gera aproximadamente R$ 2.160 para o PIB. Já quando industrializada, essa mesma tonelada alcança até R$ 9.430 em impacto, evidenciando a relevância da agregação de valor.
Além da contribuição financeira, a industrialização do grão tem reflexo direto na geração de empregos. A pesquisa aponta que o segmento agroindustrial gera 4,39 vezes mais postos de trabalho por tonelada processada do que o modelo de produção voltado apenas à exportação.
O avanço da industrialização da soja é visto como estratégico para consolidar a participação do Brasil na bioeconomia e fortalecer o desenvolvimento regional, ampliando a geração de renda, emprego e inovação tecnológica no campo.



