Comissão Europeia encaminha ao Parlamento proposta de livre-comércio com Mercosul, em meio a forte oposição interna

A Comissão Europeia deu um passo decisivo ao submeter ao Parlamento e ao Conselho da União Europeia, nesta quarta-feira, o texto final do aguardado acordo de livre-comércio com o Mercosul. O pacto, após mais de duas décadas de negociações, visa eliminar a maior parte das tarifas entre os blocos e acelerar o intercâmbio de bens e serviços, consolidando uma área de livre-comércio para cerca de 700 milhões de pessoas.

Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, destacam a oportunidade de diversificar relações comerciais num contexto de protecionismo global crescente, sobretudo em resposta às altas tarifas impostas pelos EUA. Ainda, o pacto oferece acesso a recursos estratégicos — como minerais essenciais à transição verde — e amplia a presença da indústria europeia em mercados sul-americanos.

No entanto, o processo enfrenta forte resistência de países-chave da UE, sobretudo da França — maior produtora de carne do bloco — que lidera críticas com preocupação quanto à proteção ambiental e à concorrência com produtos agrícolas americanos. A oposição também tem a simpatia de outros Estados-membros, como Polônia e Itália, tornando o cenário de aprovação ainda incerto.

Para enfrentar essas resistências, a Comissão Europeia incluiu salvaguardas no texto, como mecanismos de investigação de surtos de importação, fundos de recomposição econômica de até €1 bilhão por ano e possibilidade de suspender tarifas se forem detectados prejuízos ao setor agropecuário europeu.

Ainda assim, para que o acordo entre em vigor, é necessária a aprovação por maioria qualificada dos 27 Estados-membros e validação do Parlamento Europeu. O calendário prevê uma votação ainda este ano, segundo cronogramas internos, mas o desenrolar político será determinante para sua concretização

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