Trigo argentino pressiona preço no Brasil apesar de área e safra menores

O aumento dos estoques na Argentina está impedindo uma melhora significativa nos preços do trigo no Brasil, mesmo com projeções de produção nacional menores. A Argentina respondeu por 77% do trigo importado pelo Brasil entre janeiro e agosto, totalizando cerca de 3,2 milhões de toneladas — percentual bem acima dos 62% registrados no ano anterior.

Dados da Conab indicam que a safra brasileira de trigo em 2025 deverá alcançar 7,5 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 4,5% em relação a 2024, quando foram colhidas 7,8 milhões. A área plantada encolheu quase 20%, de 3,05 milhões para 2,44 milhões de hectares. A produtividade, por outro lado, deve subir para cerca de 3.077 quilos por hectare, contra 2.579 quilos no ano passado.

No Rio Grande do Sul, maior produtor do cereal no país, a área também se retraiu, ficando em torno de 1,19 milhão de hectares. Ainda assim, a produtividade estimada em 2.997 quilos por hectare representa avanço sobre o ciclo anterior. Mesmo assim, não há perspectiva de que os triticultores consigam compensar as perdas com preços mais altos, já que a oferta argentina continua abundante e o custo de importação mantém o cereal estrangeiro competitivo frente ao nacional.

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