Estudo da CNA mostra que alto custo e crédito caro impulsionam terceirização de máquinas agrícolas

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou um estudo inédito que analisa os custos e as vantagens de diferentes formas de uso de máquinas agrícolas no país, comparando a compra, o aluguel e a terceirização dos equipamentos. O levantamento, elaborado em parceria com a Agroconsult, abrangeu 12 regiões produtoras de soja e milho no Sul, Centro-Oeste e Matopiba, responsáveis por mais de 80% da área cultivada com soja no Brasil.

Entre 2019 e 2025, o estudo apontou aumentos expressivos nos preços dos equipamentos agrícolas: as plantadeiras ficaram entre 131% e 225% mais caras, as colheitadeiras tiveram alta de 57% a 124%, e os tratores registraram elevação entre 107% e 154%. No mesmo período, as taxas de juros do programa Moderfrota dobraram, passando de cerca de 6% para até 13,5% ao ano, o que encareceu significativamente o financiamento de máquinas.

Os dados mostram que aproximadamente 17% do custo operacional total dos produtores rurais está ligado à aquisição e depreciação de maquinário. Nesse contexto, a terceirização aparece como a alternativa mais vantajosa em diversas situações, especialmente nas operações de colheita, que exigem máquinas caras e de uso concentrado em curtos períodos da safra. O aluguel de equipamentos também cresce entre grandes produtores, que buscam reduzir a imobilização de capital e garantir acesso a tecnologias mais recentes.

Por outro lado, o estudo mostra que, em regiões com maior frequência de pulverizações e plantios sucessivos, manter uma frota própria ainda se mostra mais eficiente, já que permite maior agilidade e disponibilidade no campo. A decisão, segundo a CNA, depende de fatores como o tamanho da área cultivada, o tipo de cultura e o custo do financiamento.

A entidade apresentou também uma ferramenta digital que ajuda o produtor a comparar custos e benefícios entre as opções de frota própria, aluguel ou terceirização. O objetivo é apoiar decisões de investimento em mecanização agrícola num cenário de margens mais apertadas, crédito caro e necessidade crescente de eficiência produtiva.

De acordo com a CNA, os resultados indicam uma tendência de mudança no perfil da mecanização brasileira. Com os custos em alta e a dificuldade de acesso a financiamentos mais baratos, cresce a busca por soluções flexíveis e compartilhadas. A terceirização, nesse contexto, surge como uma alternativa viável para manter a competitividade sem comprometer o fluxo de caixa e o planejamento das propriedades rurais.

plugins premium WordPress