Brasil corta seguro rural e amplia dívidas: política agrícola fracassa 

Enquanto o Brasil se prepara para a safra 2025/26 sob a influência do fenômeno La Niña — que promete secas mais longas e chuvas irregulares na região Centro-Sul — o agronegócio enfrenta um cenário preocupante. Mesmo após décadas de debates sobre gestão de riscos, o seguro rural, principal instrumento de estabilidade em políticas agrícolas modernas, segue subfinanciado e despriorizado.

Dados do Banco Central indicam que a inadimplência do crédito rural atingiu 9,3%, o maior índice da série histórica. No primeiro semestre de 2025, os pedidos de recuperação judicial de produtores cresceram 36%. Paralelamente, houve queda de 23% na contratação de crédito de custeio e de 44% nos investimentos. A área segurada também despencou: mais de 14 milhões de hectares deixaram de estar protegidos, restando menos de 3 milhões — o equivalente a apenas 3% das terras agrícolas nacionais.

Mesmo com eficiência comprovada — o seguro rural já indenizou mais de R$ 32 bilhões desde 2003, sendo R$ 22 bilhões apenas nos últimos cinco anos — o programa continua recebendo fatia ínfima do orçamento: em 2024, representou apenas 3,7% dos cerca de R$ 26 bilhões destinados às principais políticas agrícolas do país.

Em contrapartida, o governo tem ampliado medidas emergenciais. Foram destinados R$ 11,9 bilhões ao programa “Desenrola Agricultura Familiar”, beneficiando aproximadamente 300 mil agricultores endividados, além de outros R$ 12 bilhões liberados pela Medida Provisória 1.314/2025 para renegociação de dívidas — sem exigir, contudo, a adesão ao seguro rural.

O cenário mostra que, apesar do discurso ambiental reforçado com a aproximação da COP30, o Brasil ainda carece de uma política agrícola sólida e preventiva. Ao preferir soluções paliativas e caras, o país mantém-se vulnerável aos riscos climáticos e financeiros que outras nações já aprenderam a mitigar.

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