“A valorização do capital humano é muito importante”

Com uma trajetória marcada por dedicação e visão estratégica, Douglas Sana é hoje diretor-geral da Transportadora Sana, empresa que atua há décadas no setor de transporte rodoviário de cargas. Formado em Ciências Biológicas e com MBA em Economia e Gestão Empresarial pela Universidade de Passo Fundo (UPF), Douglas também é proprietário da Rede de Postos Cavalinho e da CSR Incorporações.

Desde 2005 na Transportadora Sana, iniciou sua carreira como assistente financeiro, passou à diretoria financeira em 2009 e, em 2014, assumiu a direção-geral da empresa. Nesta edição do Conversa de Valor, ele compartilha sua visão sobre os desafios do setor de transporte, o papel da tecnologia na eficiência operacional e a importância da valorização dos colaboradores para manter a competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico.

ValorPF: Quais foram os principais desafios da Transportes Sana e como a empresa está se adaptando para manter sua competitividade no mercado de transporte rodoviário?
Douglas Sana: Eu acredito que os principais desafios podemos resumir em três: o primeiro é a volatilidade de custos. Eles são bastante imprevisíveis, principalmente na questão do preço do diesel, que sofre algumas oscilações de um estado para outro. Este é um dos principais desafios.
Temos também uma concorrência acirrada, porque o setor de transporte é bem fragmentado. Então, ele exige bastantes diferenciais da transportadora, que não se resumem apenas a preço competitivo.
Também existem as exigências de órgãos reguladores, como a ANTT, e de órgãos de certificação, pois hoje, para atuar no setor de transporte rodoviário, é necessário possuir certificações que as empresas exigem. Esse também é um desafio: adaptar a empresa para cumprir todas essas exigências.
Para se manter competitiva, é preciso focar muito na eficiência operacional. Hoje, é necessário ser eficiente tanto na redução de custos quanto na melhoria de outros processos. A valorização do capital humano é muito importante. É preciso investir na qualificação, tanto de motoristas quanto de colaboradores, e fazer todo um programa de retenção de talentos na empresa, porque o capital humano também está um pouco escasso. É essencial fazer esse trabalho de valorização do capital humano e, dentro da própria empresa, investir muito em tecnologia junto ao setor de transporte.

ValorPF: Como a Transportes Sana está implementando inovações tecnológicas (como telemetria, rastreamento em tempo real ou automação logística) para aumentar a eficiência operacional?
DS: Nós viemos investindo na implementação da própria frota, que é um dos pilares em que atuamos. Hoje, não tem como trabalhar sem telemetria. A telemetria é uma realidade e uma das principais ferramentas de gestão da frota.
Basicamente, os caminhões estão equipados com sistemas de telemetria e monitoramento. Assim, conseguimos fazer todo um plano de medição de resultados, como velocidade e comportamento do motorista, e corrigir processos internos. Isso traz um grande resultado para o desempenho operacional.
As cargas e os caminhões são rastreados, permitindo a gestão de rotas e tempos, além do controle da jornada dos motoristas. Isso é importante tanto para nós quanto para o cliente, que acompanha o transporte em tempo real. Também garante mais segurança, inclusive em relação ao seguro de carga. A automação logística hoje é interligada: temos o nosso TMS, que, desde a emissão de documentos, já está integrado ao seguro de carga, ao roteirizador e a outros processos. A tecnologia faz parte do transporte em várias vertentes.

ValorPF: Como o senhor avalia o impacto das oscilações econômicas ,como variações no preço do diesel, inflação e taxas de juros, sobre a rentabilidade das transportadoras, e quais estratégias a Transportes Sana adota nesses cenários?

DS: Essa questão é, sem dúvida, uma das mais impactantes. A economia vem se arrastando um pouco. Estamos acostumados com a oscilação econômica; em nível de Brasil, isso faz parte da nossa realidade, mas não conseguimos fugir dela.
A variação do preço do diesel é um dos principais desafios. Como “tema de casa”, conseguimos, com o uso da tecnologia, como a telemetria, reduzir o consumo de combustível e controlar outros custos.
Acredito que, para driblar esse impacto econômico, é necessário olhar muito para dentro de casa: melhorar a performance interna, a gestão de custos, tornar a operação mais enxuta e buscar, junto aos clientes, as melhores rotas e preços, precificando bem o frete para se manter em um mercado turbulento como o atual.
O Brasil sofre muito com as oscilações econômicas, mas esse impacto atinge a todos. Hoje, com a alta das taxas de juros, muitas operações se tornam inviáveis, como a renovação de frota, que tende a ficar mais velha e, consequentemente, gerar mais manutenção.
São problemas que enfrentaremos agora, pois a alta da taxa de juros inviabiliza muitos investimentos. Por isso, é fundamental analisar todos os pontos onde podemos ser mais eficientes e melhorar continuamente a gestão operacional para atravessar essas tempestades.

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