Crise dupla no RS: Estiagem e falta de diesel colocam safra de verão sob risco extremo

O setor produtivo do Rio Grande do Sul enfrenta um cenário alarmante neste fechamento de safra. Além da estiagem prolongada que já castiga as lavouras de soja e milho, a escassez de óleo diesel e a alta abusiva nos preços do combustível surgem como um novo entrave crítico, comprometendo não apenas a colheita, mas também serviços essenciais em quase metade do estado.

De acordo com levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), pelo menos 143 prefeituras (44,8% das que responderam) relatam dificuldades severas no abastecimento. A crise administrativa levou municípios como Júlio de Castilhos, um dos maiores produtores de soja do estado, a decretar situação de emergência após a Emater estimar perdas econômicas superiores a R$ 146 milhões devido ao clima.

O monitoramento da Secretaria da Agricultura (Seapi) confirma o déficit hídrico severo em fevereiro, com chuvas até 100 milímetros abaixo da média em regiões vitais como Campanha, Planalto e Serra. Enquanto a soja e o milho sofrem com o estresse térmico, afetando também a produção leiteira e as pastagens, a falta de combustível impede que as máquinas operem no campo para retirar o grão remanescente, expondo o que resta da produção a intempéries.

Entidades como a Farsul já haviam alertado para a irregularidade na entrega de diesel por transportadores revendedores. Agora, gestores municipais começam a priorizar o uso do combustível para transporte de pacientes e saúde, suspendendo obras de infraestrutura e alertando para o risco de interrupção do transporte escolar caso o governo federal e o estado não apresentem uma solução imediata.

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