Um estudo recente aponta a canola como uma das soluções mais promissoras para a descarbonização do setor aéreo brasileiro. Segundo análises da Embrapa Meio Ambiente, o uso da oleaginosa na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês) tem o potencial de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em até 55%, em cenários ideais de cultivo e processamento.
Atualmente, o Rio Grande do Sul é o protagonista absoluto desta cultura no país. Na safra de 2025, o estado foi responsável por 209,9 mil hectares, de um total nacional de 211 mil hectares — uma hegemonia que se traduz em quase a totalidade da produção brasileira. Para 2026, as projeções da Conab e de entidades do setor, como a FecoAgro/RS, indicam um crescimento robusto, com a área cultivada podendo chegar aos 400 mil hectares no próximo inverno.
A expansão é impulsionada não apenas pelo viés ambiental, mas também pela rentabilidade. Adriano Borghetti, presidente da FecoAgro/RS, destaca que a liquidez da canola e as cotações atrativas têm motivado os agricultores a diversificar a produção, utilizando a planta como cultura de inverno. “O produtor começou a entrar nesse movimento de procura, especialmente com o início das exportações”, afirma o dirigente.
Apesar do otimismo, especialistas ressalvam que o índice de 55% de redução de emissões representa um potencial máximo hipotético. Priscila Sabaini, analista da Embrapa, sublinha que ainda existem barreiras técnicas e regulatórias a serem superadas para que a substituição do combustível fóssil tradicional por biocombustíveis derivados da canola se torne uma realidade em larga escala.
O estudo avalia especificamente o cultivo de segunda safra, posicionando o agronegócio gaúcho como peça-chave na estratégia nacional para cumprir as metas globais de sustentabilidade da aviação comercial.



